Mais de 100 deputados trabalhistas assinam carta de apoio a Starmer

Mais de 100 deputados trabalhistas assinam carta de apoio a Starmer

Numa altura em que o primeiro-ministro britânico está a ser pressionado a demitir-se e vários membros do Governo já apresentaram demissão, 103 deputados trabalhistas assinaram uma carta a defender que "este não é o momento para uma disputa de liderança".

Mariana Ribeiro Soares - RTP /
O Partido Trabalhista perdeu quase 1.500 vereadores em eleições locais por toda a Inglaterra | Hannah McKay - Reuters

Mais de 100 deputados trabalhistas britânicos assinaram esta terça-feira uma carta de apoio ao primeiro-ministro Keir Starmer, enquanto mais de 80 pediram a sua demissão, segundo os meios de comunicação britânicos.

"Tivemos resultados eleitorais extremamente difíceis na semana passada. Isto mostra que precisamos de trabalhar para recuperar a confiança do eleitorado (...) Este não é o momento para iniciar uma disputa pela liderança", afirmaram os deputados na carta.


A carta surge numa altura em que Starmer está a ser pressionado a demitir-se após os maus resultados do Partido Trabalhista nas eleições locais, no fim de semana passado. Quatro membros de seu Governo, incluindo a ministra do Interior e o ministro da Saúde, já se demitiram e quase 90 deputados trabalhistas pedem a saída do líder.

Apesar das pressões, Starmer tem recusado demitir-se. Numa reunião do seu gabinete, Starmer, em funções há menos de dois anos, reiterou que, embora assumisse a responsabilidade por uma das piores derrotas eleitorais do Partido Trabalhista, não houve qualquer movimento oficial para iniciar uma disputa pela liderança. Vários ministros leais manifestaram-lhe o seu apoio.

“Como disse ontem, assumo a responsabilidade por estes resultados eleitorais e assumo a responsabilidade de concretizar a mudança que prometemos”, disse Starmer na reunião do gabinete.

“As últimas 48 horas foram desestabilizadoras para o governo, e isso tem um custo económico real para o nosso país e para as famílias. O Partido Trabalhista tem um processo para contestar um líder, e esse processo não foi acionado”, disse.

“O país espera que governemos. É isso que estou a fazer e é isso que devemos fazer como gabinete”, rematou.
Resultados desastrosos
Starmer tentou responder às críticas internas com um discurso na segunda-feira, no qual delineou as prioridades do seu Governo para o resto do seu mandato e prometeu, entre outras coisas, colocar o Reino Unido "no centro da Europa" após o Brexit.

No entanto, as palavras do líder trabalhista pareceram insuficientes para conter a pressão que enfrenta dentro do próprio partido.

A revolta entre os deputados segue-se à desastrosa derrota para o Partido Trabalhista na semana passada, em que o partido perdeu quase 1.500 vereadores em eleições locais por toda a Inglaterra. O partido também foi destituído do poder no País de Gales, governado pelo Partido Trabalhista desde 1999, onde se tornaram a terceira força mais votada, com apenas nove lugares.

Na Escócia, reduziu a representação no Parlamento de Edimburgo de 21 para 17 membros, enquanto no País de Gales perdeu o controlo do parlamento regional, passando de 44 para apenas nove assentos.

Starmer foi eleito primeiro-ministro do Reino Unido em 2024 com uma das maiores maiorias parlamentares da história moderna britânica, sob a promessa de trazer estabilidade após anos de caos político. Mas o seu mandato tem sido marcado por inúmeras mudanças de rumo nas suas políticas, uma rotatividade constante de conselheiros e pela polémica nomeação de Peter Mandelson como embaixador britânico nos Estados Unidos, que foi demitido nove meses depois pelas suas ligações ao criminoso sexual norte-americano Jeffrey Epstein.

Apesar disso, Starmer insiste que vai liderar o Partido Trabalhista nas próximas eleições e o partido nunca conseguiu destituir um primeiro-ministro em exercício nos seus 125 anos de história.

c/agências
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